Eu ainda era zela na faculdade quando um grande mestre e mentor, o Prof. Walter Eustáquio Ribeiro me indicou a leitura de um dos livros cuja leitura me foi mais especial - "Maturidade Mental", de Harry Overstreet. O que nós chamamos hoje de "inteligência emocional" é um dos componentes da maturidade mental proposta por Overstreet, mas é uma teoria mais diluída e, por isso mesmo, mais facilmente consumida.
O Brasil destes últimos anos está surpreendente: com a liberação da união civil homossexual, uma movimentação anormal no âmbito da descriminalização do aborto, do uso de entorpecentes e a instauração da comissão da verdade, a democracia está dando as caras novamente. Minha proposta com este texto não é discutir o hiato de atividade social entre o fim da ditadura e os anos atuais ou o mérito destas questões e não o farei por uma questão de objetividade. Minha questão é que o Brasil está se emancipando, está tomando uma consciência mais substancial - está amadurecendo.
Eu sou históricamente um chato sobre direitos civis e sobre afrouxamento tributário, o que me coloca entre um liberal extremo (e por vezes contraditório) e um anarquista para fins últimos, o que acaba me tornando um descrente no governo. Ainda assim, estas manifestações populares - que tem evoluído em corpo, qualidade e intensidade - são uma demonstração de que o povo quer tomar de fato uma parte mais ativa nos assuntos do estado e, específicamente sobre minha área, dá uma definição da sociedade para questões de administração pública. Entre os doutores participantes da minha monografia, a Dr. Madga de Lima Lúcio e o Dr. Ricardo Corrêa Gomes foram os mais instrumentais para uma parcela das minhas conclusões - a de que, a menos que a sociedade brasileira decida o que quer, a administração pública jamais será capaz de realizar. Esse momento começa a despontar.
Eu fico feliz pelo momento atual. É um momento... curioso pra ser brasileiro. É nosso próprio pós-guerra, nossa reafirmação de senso de propósito, estranho e ao avesso como quase tudo que acontece numa terra onde o filho do rei declara nossa independência sozinho na beira de um córrego, onde o símbolo nacional é presente da França e onde a bandeira da república tem as cores do Brasão da família real, mas ainda assim é o giro das engrenagens.
Eu não sei se vamos passar por isso sem nenhum sangue ou sem nenhuma lágrima, mas espero que passemos e que nossa Liberdade, ainda que Tardia, seja linda como ela normalmente é.
Eu não sei se vamos passar por isso sem nenhum sangue ou sem nenhuma lágrima, mas espero que passemos e que nossa Liberdade, ainda que Tardia, seja linda como ela normalmente é.
The song on was: The Times They Are A Changin' by Bob Dylan.









