segunda-feira, 28 de maio de 2012

Libertas Quae Sera Tamem ou "Maturidade Mental".

Eu ainda era zela na faculdade quando um grande mestre e mentor, o Prof. Walter Eustáquio Ribeiro me indicou a leitura de um dos livros cuja leitura me foi mais especial - "Maturidade Mental", de Harry Overstreet. O que nós chamamos hoje de "inteligência emocional" é um dos componentes da maturidade mental proposta por Overstreet, mas é uma teoria mais diluída e, por isso mesmo, mais facilmente consumida.

O Brasil destes últimos anos está surpreendente: com a liberação da união civil homossexual, uma movimentação anormal no âmbito da descriminalização do aborto, do uso de entorpecentes e a instauração da comissão da verdade, a democracia está dando as caras novamente. Minha proposta com este texto não é discutir o hiato de atividade social entre o fim da ditadura e os anos atuais ou o mérito destas questões e não o farei por uma questão de objetividade. Minha questão é que o Brasil está se emancipando, está tomando uma consciência mais substancial - está amadurecendo.

Eu sou históricamente um chato sobre direitos civis e sobre afrouxamento tributário, o que me coloca entre um liberal extremo (e por vezes contraditório) e um anarquista para fins últimos, o que acaba me tornando um descrente no governo. Ainda assim, estas manifestações populares - que tem evoluído em corpo, qualidade e intensidade - são uma demonstração de que o povo quer tomar de fato uma parte mais ativa nos assuntos do estado e, específicamente sobre minha área, dá uma definição da sociedade para questões de administração pública. Entre os doutores participantes da minha monografia, a Dr. Madga de Lima Lúcio e o Dr. Ricardo Corrêa Gomes foram os mais instrumentais para uma parcela das minhas conclusões - a de que, a menos que a sociedade brasileira decida o que quer, a administração pública jamais será capaz de realizar. Esse momento começa a despontar.

Eu fico feliz pelo momento atual. É um momento... curioso pra ser brasileiro. É nosso próprio pós-guerra, nossa reafirmação de senso de propósito, estranho e ao avesso como quase tudo que acontece numa terra onde o filho do rei declara nossa independência sozinho na beira de um córrego, onde o símbolo nacional é presente da França e onde a bandeira da república tem as cores do Brasão da família real, mas ainda assim é o giro das engrenagens.

Eu não sei se vamos passar por isso sem nenhum sangue ou sem nenhuma lágrima, mas espero que passemos e que nossa Liberdade, ainda que Tardia, seja linda como ela normalmente é.

The song on was: The Times They Are A Changin' by Bob Dylan.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Os "Ismos" e os "Istas".

os "ismos" e os "istas"
ensaio de laís corrêa de araújo


O sufixo "ismo" é de origem grega e sua função é a de acrescentar à palavra-raiz um novo sentido, que amplia o vocábulo e lhe dá característica própria. Quando falamos, por exemplo, Marxismo, estamos explicando que se trata da filosofia, da doutrina, do sistema baseado nas proposições do pensador Karl Marx. Quanto ao sufixo "ista", é usado para qualificar um indivíduo, mostrando-o como seguidor de um sistema determinado - e assim dizemos simplesmente as palavras marxista, comunista, anarquista, fascista, nazista, etc.

O problema é que a linguagem é, muitas vezes, usada para rotular, classificar, conceituar algo que não conhecemos bem e que o nosso senso comum, vulgar, nos indica como indicador da atitude ou do pensamento de um ser humano. É uma forma grosseira de expressar um "juízo" a respeito do outro. Um exemplo é dizer que o anarquismo ou o anarquista reúne as peculiaridades da confusão, da bagunça, da desobediência, quando a palavra-origem (grega, de novo) significa o "não" ao poder e a capacidade do indivíduo de governar-se sozinho, rejeitando o domínio do Estado. Também é mais fácil dizer que "Fulano é comunista" quando alguém luta pela igualdade social, o fim do uso dos empregados pelos patrões, a liberdade de ter ou não sua crença, sua religião. Nesse caso, podemos até classificar o Cristo como comunista, porque ele defendia os pobres, os excluídos, prostitutas, adúlteras e a horda de gente desprezada pela sociedade...

Trata-se, no fim das contas, de preguiça mental, de ignorância ou de simplória acomodação ao uso geral das palavras. Ninguém ou quase ninguém se interessa em buscar a origem (a etimologia) e o verdadeiro sentido (a semântica) de nossa fala. Nós queremos é simplificar, dar um rótulo, uma classificação, usar uma etiqueta para não termos o trabalho de entender, de compreender, de "gastar a cabeça" com o raciocínio e os fundamentos lógicos dos termos da fala cotidiana. Essa atitude, porém, nos leva também aos argumentos vazios ou tendenciosos. Se eu digo que, no Brasil, há uma crônica "má distribuição de renda", sempre me respondem com uma pergunta idiota - "por que você não vai para Cuba? - para a Rússia? - para a China?" - como se eu não estivesse falando de problemas brasileiros, nossos, de nosso povo. Quanta tolice existe na boca dos que se assustam com mudanças, com o que é novo e diferente! É por este medo que o "capitalismo" e o "aristocratismo" nos tornam "conservadoristas", aqueles que não querem se mover de seu lugar, os "deixa como está!" É por este medo que os poderosos não dão valor à educação e à arte, à cultura - o medo de ficarmos sabendo, criticando, colocando em dúvida seus decretos e seu "autoritarismo" sobre nossa consciência de valores.

Temos, ao menos, de saber jogar as cartas de baralho da linguagem, os "ismos" e os "istas" com um pouco de cuidado, para não sermos vencidos também no jogo da vida.


***

PS: Embora estilísticamente o texto seja bem diferente dos meus, fiz o máximo para manter o original como ele estava quando o encontrei e copiei, alguns anos atrás, quando ainda me dava o trabalho de discutir sobre esse tipo de assunto. O site original não existe mais. Existe, na data da publicação deste, uma imagem recuperada do geocities no link <http://www.oocities.org/soho/den/9103/posfacio.html> que data do fim de 2009. Não faço idéia de quanto tempo esse link ficará disponível, mas eu tenho a certeza de ter feito um trabalho fiel na réplica, tanto na tipia, quanto na formatação e na disposição da imagem ao final. De qualquer forma, pela simplicidade e contundência, eu amo este texto.

Notas de Sobrecarga

Estou fazendo um limpa no meu computador, sobrecarregado de uma série de coisas. Entre as mais complicadas está a sobrecarga de reminders. É simples - sempre que eu quero fazer algo e não faço eu crio um arquivo .txt me lembrando de fazer aquilo qualquer dia. 

Com minha perseverança e memória, descobri que tenho algumas mil coisas pequenas pra fazer e links pra checar e eu acabei descobrindo muita coisa interessante. Dessa forma, minhas redes sociais - sobretudo o Tumblr e o Facebook - devem receber uma dose anormal de conteúdo (ou falta de) nos próximos dias. Como essa é minha página oficial, o aviso fica aqui. Coisas particularmente interessantes virão para cá, como um texto que já está encaminhado, com as devidas notas ao fim do texto.

Abraço ao fiel e paciente usuário.

-D.

The Song on Was: Crossroas Blues by Robert Johnson, que eu já não escutava a tempos e achei no meio da bagunça.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Mea Culpa ou "Por Uma Nova Teologia do Diabo".


Eu quase sempre escrevo neste blog pensando nas pessoas que me conhecem, mas para aquelas que não conhecem e que acabaram aqui por alguma desventura como internauta, saiba, antes de ler este post, que eu venho de antecedentes bastante religiosos. Fui líder em todas as sociedades internas da igreja que eu frequentei até os 14 anos, quando parei tanto de ir à igreja quanto de participar de atividades eclesiásticas de todo tipo. Já tinha lido a bíblia inteira uma vez antes dos 10 anos e enquanto a maior parte das crianças era familiar com histórias da Disney e afins eu já sabia - e ainda sei - citar mais de 10 reis e príncipes de Israel sem esforço.

É dessa experiência que devo relatar um ponto de vista bastante controverso do Cristianismo atual - essa coisa mercadejada em todas as esquinas e vinculada a todo tipo de indecência e escândalo possível - que diz respeito ao Diabo. Se você não é Cristão e/ou um leitor contumaz eu duvido - sem qualquer pena para a sua reputação, diga-se de passagem - que você já tenha se interessado por uma obra chamada "Paraíso Perdido", escrita em 1667 por John Milton, obra que lhe custou a saúde e uma parte razoável da visão e da sanidade.

Em todo caso, no início do romance Milton pinta o Diabo como algo grande e poderoso, um querubim imensamente nobre e altivo, revestido de uma glória antagônica digna daquele que é segundo apenas ao próprio Deus, alguém que afirma com a autoridade de um comandante à sua hoste que "é melhor reinar no inferno que servir no céu". É nessa condição de primeiro rebelde que a maior parte das bandas de rock aprendeu a usar a imagem do diabo como a expressão da própria indignação e acho uma das únicas apropriadas para o caso, como explico mais pra frente no texto. Posteriormente, vendo que exagerou na dose para uma sociedade bastante conservadora quanto à visão do Diabo, Milton corrige o excesso, infelizmente, com outro excesso e como disse C.S Lewis: "Satã evolui de herói para general, de general para político, de político para espião, depois assume o aspecto de qualquer coisa que espreita pela janela do quarto de dormir ou do banheiro, a seguir para um sapo e finalmente, para uma serpente".

Meu problema enquanto pessoa, não enquanto cristão, é respeitar a figura do diabo que se pinta nos dias de hoje, espremendo-se e humilhando-se nas igrejas universais e animando as telas de cinema de terror de gosto duvidoso. Aquele que se imaginou como o arquétipo da antítese de um deus amoroso reduzido a um reles bandido com o qual se lida com uma ligação para o 190 ou uma surra corretiva.

"O diabo, vosso adversário, anda ao derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar". 1 Pedro 5:8

Mesmo que você não creia nem em Deus nem no Diabo, saiba que símbolos e arquétipos são carregados de um poder imenso, e, se um dia você puder se lamentar por algo tão efêmero, lamente pela queda da figura do diabo. É fato sabido que grandes homens são feitos também por grandes antagonistas: se um dia minha história for contada eu detestaria que nela constasse que meu maior detrator foi um alguém qualquer sem importância. O fim do querubim caído como um arquétipo de Glória profana e dos riscos inerentes ao orgulho e à cobiça é o fim de um parâmetro.

Haveria muito, muito ainda a ser dito, mas para fins de economia de espaço eu gostaria de concluir que não há qualquer mérito em resistir (Tiago 4:7) a uma criatura patética. Seja como entificação, seja como princípio, a verdadeira transcendência está no autodomínio, na real capacidade de amar e perdoar e de libertar e a si e a outrem através da compreensão da verdade, e se toda a noção de treva e escuridão que conseguem amealhar os nossos tempos plastifica-se num teatro de títeres de mau gosto, pergunto:

Onde está o titereiro?

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The Song on Was: Paparazzi by Lady Gaga.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Embora ou "O Diabo Vai Sacudir Sua Canoa".

Normalmente eu começo todos os meus posts com uma paráfrase, mas na verdade esse aqui é muito voltado pra mim - uma espécie de lembrete de um bom humor altamente anormal e de uma clareza de visão igualmente anormal com que eu acordei hoje de manhã. Como é raro eu aproveitei a oportunidade pra criar algumas metas e planos para o ano de 2012 no afã de dar seguimento à minha vida e, dessa forma, encerrar o capítulo atual que, embora seja bastante cômodo, deu no saco.
Metas e planos 2012:

Eu quero desenvolver 4 habilidades este ano e vou focar meus esforços nestas 4 e ver no que dá.

1 - Habilidades financeiras: Básicamente eu comecei o ano mais quebrado que arroz de terceira. Uma das minhas prioridades para o ano que se segue é me empregar e começar a ganhar minha própria grana, sobretudo porque eu quero sair das costas do meu pai, que já ralou o bastante pra criar seu par de crias.

2 - Habilidades acadêmicas: Vou fazer meu mestrado em Administração de Empresas (a propósito, me formei com 10 na monografia e não escrevi nada a respeito porque sou uma mula). Estou realmente a fim de esta seja feita na USP - como queria anteriormente - mas agora por outras razões que incluem, por exemplo, o fato de ser a melhor do país na minha área.

3 - Habilidades marciais: Quase todo mundo que vêm aqui me conhece. Se você que está lendo agora não me conhece, aqui vai uma revelação bombástica: eu sou gordo, sedentário, fumante e motociclista e embora os genes da minha família sejam aparentemente de aço eu preciso fazer um exercício e começar a investir numa vida mais saudável tanto pela empregabilidade quanto porque vai me fazer bem - e como diz a infinita sabedoria das Minas Gerais, "coisas que fazem mais bem são melhores que coisas que fazem menos bem". Como eu odeio academias de toda espécie, vou começar uma arte marcial, muito provavelmente Jiu-Jitsu (Gracie Barra).

4 - Habilidades musicais: Muita gente diz que o negócio da vida é plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Pra mim é ter uma disciplina física, uma disciplina mental, uma disciplina social e uma disciplina espiritual. A música aqui vai fazer as vezes de disciplina social e completar um pouco a minha disciplina espiritual que sempre é meio capenga.

Pode parecer um plano fraco, mas eu praticamente não tenho força de vontade, largo tudo pelas metades, faço tudo em cima da hora e acho que vai ser desafiador me colocar nos trilhos pra conseguir andar nessas 4 áreas até o fim deste ano. Em todo caso eu estou bastante animado e todas as possibilidades das quais eu venho falando no blog a tempos começam a tomar forma.

The Song on Was: Pride and The Pallor by Bad Religion.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Barbárie ou "Que Comam Brioches".

Marina Bártholo, Marcus Vinícius Martins Meneses, Octavio José Spirandeli e seu, seu fiel e mui sofrido narrador estávamos discutindo no facebook. O mérito da questão era a seguinte imagem:


Para Marina - ponto onde eu concordo - é injusto dar nomes aos bois na medida da conveniência da imprensa golpista de que faz parte a Rede Globo de Televisão. Para Marcus, tal se dá porque não tem nenhum figurão na gomela dos jornalistas que falam dos de fora, enquanto que aqui a banda toca diferente - não acho que resume a questão mas também não discordo. Meu ponto, entretanto, é bastante diferente e veio parar aqui porque achei injusto enfiar uma parede de texto no facebook alheio.

Lévi-Strauss define "Bárbaro" como sendo "aquele que crê na barbárie". Pelo mesmo autor uma das causas da Barbárie é o colapso societal: o indivíduo que se isola ou é isolado pela sociedade e perde o acesso, seja por uma tragédia natural, social ou declínio econômico - basicamente, quando você priva um homem das prerrogativas da vida em uma sociedade fundada em civilidade e civilização a conseqüência mecânica é a barbárie. Na minha opinião, dizer que um bárbaro é bárbaro não está errado - o Brasil está cheio deles e pode-se dizer sem muita dúvida que mesmo a classe média brasileira flerta com a mesma de tempos em tempos: a ascensão econômica brasileira nunca trouxe melhor distribuição de renda. Dizer que o sujeito que queima um ônibus é um vândalo não é nem preconceito linguístico - ele é um vândalo. O que é errado pra mim é o tratamento que é dado posteriormente ao assunto: mesmo os vândalos originais saqueavam e matavam por motivos bastante óbvios e esses motivos eram anexados ao seu comportamento - o tal vandalismo.

Mesmo movimentos sociais bastante organizados como o Socialismo ou Bárbárie usaram o termo como ele deveria ser usado. Para mim, travestir o manifestante de uma indignação justa vai, mas isso não justifica seu vandalismo - esse é justificado por si mesmo a partir da hora que se entende que um bárbaro se comporta como um bárbaro - e que a sociedade contra a qual ele se volta agora é a mesma que o colocou na tal condição. Se um sujeito queima um ônibus pra ser ouvido e visto ele é um vândalo mas essa é a menor das discussões! Se sua sociedade já chegou a um ponto onde esse é o recurso que o cara tem pra atrair a atenção que ele necessita, você tem problemas muito graves.

Na minha opinião, você pode usar as palavras que quiser: um bárbaro é um bárbaro mesmo que você o chame de manifestante, radical, santo ou vândalo. Sua demanda é ou não justa a despeito do nome que você dê a ele ou à demanda. O debate social no Brasil ainda é raso e ainda se atém ao particular, sem jamais tanger o geral, sob medo de que fazendo assim alguma luz seja lançada na discussão.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Pasto ou "Liderando por Salário Mínimo".

Não sei se você sabia, mas a Jessica Alba - a moça da foto - tem herpes. Ela é, na minha opinião, uma das mulheres mais sensuais do cinema atual, mesmo quando está fazendo filmes de gosto duvidoso. Ela é a minha demonstração de que, sempre que você faz uma escolha, precisa considerar vantagens e desvantagens, oportunidades e riscos e depois ver se vale a pena.

Mas este post não fala sobre isso, fala sobre política. Tenho visto no facebook uma série de manifestações a respeito de como os políticos brasileiros deveriam ganhar salários mínimos - e acho um absurdo.

- "Mas você não acha injusto um gari ganhar um salário e um político ganhar milhões pra fuder sua vida? Por acaso o trabalho do gari..."

Pode ir parando por aí. Agora, vamos brincar de telecurso 2000 e "vamos pensar um pouco". Se você for garçon, você provavelmente vai ganhar uns 700-1000 reais aqui em Unaí - um moquifo no interior de Minas Gerais. Suas responsabilidades? Garantir que as pessoas da sua sessão do bar a um dado momento sejam bem atendidas.

Quais são as responsabilidades de um Senador? E de um Deputado Federal? Muitas dessas pessoas se qualificaram muito para exercer seus cargos e a verdade é que dinheiro faz uma puta diferença. Francamente, se eu - a título de exemplo - recebesse uma proposta de trabalho hoje em dia em que eu tivesse tanta dor de cabeça quanto um político normalmente tem para aguentar a pressão que aquele pessoal aguenta para ganhar um salário mínimo eu mandaria o proponente ir tomar no cú. Aqui na cidade tem um mendigo que tira uns 2.000 reais por mês.

É o pessoal que seria contratado por esse nível que eu quero comandando o país? Quer dizer que agora pra apitar alguma coisa aqui dentro o cara tem que amar tanto o país que não pode querer dar um futuro que preste pra família?

- "Ah, mas se o cara tivesse lá ele ia querer aumentar o salário pra todo mundo".

É? Já te ocorreu pelo menos por um segundo que o salário mínimo não é um valor arbitrário? O salário de todo mundo pula pra um milhão de reais (R$ 1.000.000.000) - todo mundo nessa porra agora é milionário. O pão francês, no dia seguinte, passa a custar 250 reais. Economia básica e todo mundo agora é milionário, mas essa é a nova linha da classe média - e você pode limpar a bunda com dinheiro - porque nem vale tanto assim.

Moral da história: O negócio não é querer que o cara comande o país por um dinheiro irrisório ou que ele tenha que andar pelado na rua pra mostrar transparência, porque senão só vai dar doido pilotando esse país. Já parou pra se perguntar porque é que ninguém quer ser professor? É porque é ingratificante ou porque o salário é um lixo e as condições de trabalho idem?

O que se precisa fazer é pagar justamente (concordo que o valor atual é desnecessariamente alto) e cobrar de acordo, lembrando sempre que quem exige leis mais duras ou condições piores normalmente se acha na altura de cumprir, ele mesmo, com os tais requisitos, quando isso nem sempre é verdade.

Mão na consciência, meu povo.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Medo ou "O Mais Terrível Predador".

Tubarões. Feras submarinas com três fileiras de dentes afiados, 8 ou mais sentidos a depender da espécie - sobreviventes quase incólumes à evolução global das espécies. Eu tenho medo de poucas coisas na vida e uma delas é de tubarões. Sendo de Minas Gerais, poucas pessoas diriam que isto é um problema, mas medo é absolutamente irracional, cavalheiros e damas, portanto, até aí faz pouca diferença.

Em todo caso, estava vendo uma reportagem na Record sobre um ataque de tubarão: iate no pacífico com um pessoal rico e fino nadando quando um Grande Branco - sua familiar forma de torpedo e barbatana em riste mal visíveis no escuro azul marinho - achou que ia ser legal brincar com o resto do pessoal e se aproximou. Evidentemente a reação de pânico das pessoas feriu os sentimentos do peixe e ele foi embora com um pedaço da perna de uma menina.

Estava pensando em como essa menina se sentiu - sendo rasgada, afogando-se enquanto o tubarão a puxava para baixo e lutando o quanto podia pra se soltar. Aí eu me lembrei que tubarões são responsáveis pela morte de mais ou menos 30 pessoas por ano ao redor do mundo (porque a maior parte dos ataques de tubarão não é fatal - eles soltam quando vêem que estão querendo comer uma coisa que não é apropriada), enquanto nós somos responsáveis pela morte de aproximadamente 38 milhões deles anualmente.

Como um tubarão se sente quando é içado pra fora do mar e começa a sufocar, é rasgado por lâminas que arrancam sua barbatana e é jogado de volta no mar onde ele se afoga (e sim, tubarões precisam nadar para respirar e sem a barbatana dorsal, não rola)? Imagino se não eram eles os que tinham todos os motivos pra ter medo de nós, mas volto minha lembrança para Moby Dick e a futilidade dos desesperos e desejos do homem frente ao natural e ao inevitável e vejo que cada um deles sempre vai morrer sem medo, culpa ou autocomiseração.

O ser humano é jovem neste mundo, enquanto os tubarões estão aqui, quase inalterados, a aproximadamente 420 milhões de anos, como exemplo de como ser um predador ápice capaz de manter seu habitat a despeito de todo o sangue que derramam. Eu tenho medo dos bichos, mas me sinto francamente desgostoso de mim por isso e, por tanto, é uma das minhas pautas para mudar e transcender.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Cabeça Cheia ou "Por Um Pouco de Concentração".

Ultimamente eu tenho andado de cabeça cheia. Não tem sido nenhuma época particularmente estressante da minha vida, nada disso, é cabeça cheia mesmo. Minha monografia está entupindo minha vida de idéias e conceitos, eu estou escrevendo muito e o blog inclusive está um pouco largado porque como pessoa eu ainda não me resolvi. É possibilidade de mestrado, formatura, o dualismo São Paulo vs. Brasília que vira e mexe me quebra ao meio, é ir a Brasília e entrevistar as pessoas mais importantes da minha área de estudo e fora isso tem a minha imaginação, que não pára nunca. Só nos últimos 40 minutos eu estive pensando em como fazer experiências de sono multifásico visando qualidade de vida no trabalho e o que aconteceria se num seriado de vampiros que eu acompanho (True Blood, HBO) um vampiro alucinado resolvesse fazer um "messias às avessas" aproveitando uma personagem subutilizada que é eternamente virgem. Maluquice, mesmo.

O lado ruim é que eu não consigo ter concentração pra nada por muito tempo e acabo divagando muito. Acho que eu consigo trabalhar melhor com música justamente porque a música me dá um lugar seguro pros escapes da minha mente. A parte boa é que o período de monografia acaba hoje e, se Deus quiser, até o fim da semana eu vou poder indulgir nos meus hábitos culturais e pirações afins por tempo o bastante pra acalmar a cachola, mas, enquanto isso não acontece, o jeito é tomar mais uma xícara de café e lutar contra o sono, a falta de concentração e minhas milhares de epifanias instantâneas no afã de produzir.

The Song on Was: Dying On The Vine by John Cale.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Mudança ou "R$ 1 no Cavaleiro no Cavalo Branco".

A foto ao lado é a pintura de Evelyn de Morgan de Azrael, arcanjo da morte em boa parte das culturas islâmicas e judaicas atuais. Felizmente é uma das poucas disponíveis que não transcreveu o bom arcanjo numa figura adequada a jogos de RPG ou capas de álbum de Heavy Metal - justiça seja feita que eu gosto de RPG e de Heavy Metal - quando tal é inaproriado. Só pra variar, isso não é o tema do post.

O tema do post é mudança. Algumas pessoas convivem bem com as mudanças, mas a grande maioria tende a gostar da sua zona de conforto, das probabilidades de dar certo, etc, e ninguém pode culpá-las por isso. De mesma forma, elas não podem culpar a ninguém, exceto elas mesmas quando a mudança chega e as pega com as calças na mão. Mudar é importante e, ao menos na minha escala de valores, positivo.

De uma forma geral a morte é encarada em diversas culturas como um signo de mudança: coisas morrem para que coisas vivam, partes de nós morrem para renascerem mais fortes, a vida se recicla na morte e a morte permite novos nascimentos - e portanto minha paráfrase.

Estou, na plenitude dos meus 24 anos, a um passo de me graduar em Administração de Empresas. Segundo um dos meus professores favoritos e também meu orientador de monografia, o Prof. Domingos Sávio Spezia, uma hora pra eu decidir o que quero profissionalmente e academicamente e eu decidi por bem que o que eu quero são novos horizontes. Eu não sei se as mudanças que eu quero virão para bem ou para mal de mim ou de outrem, mas fico feliz que as engrenagens da minha vida, outrora tão paradas, estejam finalmente começando a se mexer.

Uma ironia que eu percebo em toda essa situação é o quanto minha excitação atual e minhas perspectivas são velhas, quando comparadas com tudo o que se sabe, mas ainda assim estou feliz com a perspectiva tanto de sucesso quando de dar ao diabo a oportunidade de amassar um outro pão para a nau de infelizes que tentam a sorte e fracassam.

Muito de mim vai perecer na estrada que eu quero trilhar e eu espero que o que vale a pena ainda conserve a vitalidade quando eu voltar, mas eu sei que muitas coisas não vão. Características minhas provavelmente vão morrer - como já morreram antes - e outras vão nascer em seu lugar, mas isso não só não me amedronta, como me deixa alegre, até. Peço aos leitores que torçam por mim seja lá onde a litania dos meus pecados e acertos me levar. Nada ainda é certo, mas é o que eu intento para os próximos tempos.

Win or lose, you've got a job to do.

The Song on Was: The Old Ways by Loreena McKennitt.